26 de jan de 2010

Amor sem Escalas (2009)

Jason Reitman é um diretor da nova geração com poucos filmes até aqui. Mas considerando o seu tempo em ativa, pode-se até dizer que é uma boa média de filmes. Ele começou muito bem com Obrigado por Fumar (2005) e dois anos depois ele nos entregou uma obra fantástica, divertida e original Juno (2007) que conquistou crítica, publico e de quebra levou o Oscar de roteiro original. Talvez seja uma característica de Reitman fazer filmes populares e que não caiam no clichê. Embora o diretor tenha começado “desorientado” sobre o que tratar nos seus filmes ele diz com convicção que gosta de retratar mulheres fortes. E o poder de suas mulheres vem desde o seu filme anterior na personagem de Ellen Page, no seu atual a mulher poderosa é Vera Farmiga que resulta no melhor desempenho do filme.

Todos os filmes de Reitman destacam-se por sempre ter a preocupação com o roteiro. Tornam as tramas mais envolventes, modernas e excitantes. Aqui George Clooney é Ryan Bingham um daqueles solitários galantes por opção. Seu trabalho consiste em viajar por todo o país para demitir pessoas quando o chefe não tem, digamos, “estômago” para isso. Sua rotina faz com que ele passe a maior parte de sua vida em aeroportos e hospedados em hotéis o que ele adora já que criar raízes não é um de seus objetivos para a vida. Essa rotina muda completamente quando duas mulheres aparecem em sua vida - as mulheres poderosas de Reitman: a sedutora e enigmática Alex (Vera Farmiga) e a convencida Natalie (Anna Kendrick). Está última surge mais especificamente em seu trabalho, quando é escalada pelo chefe por apresentar uma ideia para cortar custos: a proposta de demissões via vídeo conferência ao invés de pessoalmente. Natalie passa a acompanhar Ryan em suas viagens, para conhecer mais do ramo.

Amor sem Escalas foi uma grata surpresa para mim. Mesmo que a crítica e as premiações já comprovassem que eram um bom filme, eu não acreditava nisso. O filme diverte e comove. Temos aqui uma visão do mundo moderno no ponto de vista de Ryan. Até que ponto a tecnologia afeta num relacionamento humano? E é justamente o que traz a personagem de Kendrick; a situação é meio desumana, já é trágico receber a notícia de que seus serviços não são mais necessário, imagine só receber esta bomba por uma tela de computador e por uma pessoa que você nunca viu na vida. O novo filme de Reitman é algo bem moderno e recente - as demissões em massa nos EUA no ano passado devido à crise. O emprego torna Ryan uma pessoa fria acreditando que qualquer “bagagem” que carregue é uma âncora prendendo-o para sempre num lugar. Reitman, felizmente, não se prendeu em tratar de histórias adolescentes após seu sucesso Juno. Agora ele trata da maturidade e principalmente do ser humano que está cada vez mais solitário, apegando-se à tecnologia e tornado coadjuvante de suas próprias vidas, dos familiares e  dos amigos.

É também um filme real; obviamente não no sentido de contar um fato, conta na verdade uma situação real vivida por muitos no mundo todo. Entretanto a realidade é concretizada por ter em sua conclusão o que poucos filmes estadunidenses têm: mostrar que nem tudo que você faz na vida pode ter reparação. Apenas este fato torna o filme obra-prima, embora cada momento ali seja fantástico de ser visto. É uma obra triste que trata com uma real ironia a situação de demitir pessoas e o efeito emocional que é causado; a forma que elas reagem diante disto. Trata-se de reações, sim, ação e reação, como na física. Alguns depoimentos reais de pessoas demitidas foram colocadas pelo jovem cineasta Reitman, para aumentar a verossimilhança da película e tudo funciona em uma perfeita sintonia.

Inclusive o elenco é absolutamente perfeito para os personagens que interpretam. Destaco Vera Farmiga que, mesmo sutil, deixa você de boca aberta com sua atuação, sua forma de estar sempre por cima é o que conquista. O que é marcante é seu olhar e seus diálogos que nunca são desnecessários. E nem precisa falar nesse negócio de “desnecessário” porque não há nada neste filme que possa ser descartável. Anna Kendrick está muito carismática e tem seu espaço na tela, já que seu personagem é bem importante, afinal não existe personagem sem importância. Natalie tenta dá um certo sentimentalismo à Ryan enquanto sofre com o fim do relacionamento e tenta não ser atingida na vida profissional por isso. Ryan Bingham não poderia ser mais perfeito para George Clooney; o ator passa essa imagem às pessoas de que é a raposa solitária e que não busca relacionamentos fixos. Elenco escolhido à dedo, melhor não poderia ser. O acerto está também na trilha sonora, principalmente no momento em que “Help Yourself” é tocada como fundo, sendo um dos meus momentos favoritos do filme, mesmo que não seja memorável para as pessoas. É bom frisar também a fantástico trabalho de montagem de Dana E. Glauberman que nos permite viajar juntamente com Ryan à vários lugares dos Estados Unidos. Nesta mescla de reações ao filme Amor sem Escalas é então um dos melhores filmes da temporada. Meio clichê terminar o texto assim e espero que não interpretem como um exagero de minha parte, mas o filme é uma verdadeira obra-prima.


Amor Sem Escalas
(Up in the Air, EUA, 2009)
Direção: Jason Reitman Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, J.K. Simmons, Sam Elliott, Danny McBride, Zach Galifianakis. Drama / Comédia / Romance. 109 min.

10 comentários:

  1. Olha... eu assisti e não consegui me impressionar nem com o roteiro nem com as atuações. Achei que é um bom filme, um passatempo legal mas nada além disso. O roteiro é até interessante no começo mas depois cai de forma impressionante de ritmo e não atinge as expectativas...

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  2. Também adorei e que bom que você também destacou o trabalho da Vera Farmiga. Para mim ela é a melhor do filme, também fiquei um tanto impressionado com seu desempenho.

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  3. Robson, eu pensava seriamente que não ia gostar muito do filme. Mas me apaixonei a primeira vista, hahaha. Ao contrário de você eu adorei o elenco. O trio Clooney-Farmiga-Kendrick são perfeitos para os papéis que exercem.

    Vinícius, não há como não ficar impressionado com sua atuação.

    Abraço

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  4. Não li todo seu texto para não estragar a surpresa, rsrsrsrs. Vejo este filme esta seman e depois passo aqui e digo que achei.

    Beijos! ;)

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  5. Vi duas vezes e na segunda foi ainda melhor. É um belo filme, de fato o Reitman merece respeito.

    Abraço.

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  6. Mesmo com um pé atrás com o Clooney, preciso conferir! boa resenha! abraço

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  7. 'Up In The Air' também foi uma surpresa para mim. O enredo - até simples - não conseguia me convencer. Mas Reitman fez um trabalho tão bom que é impossível não se apaixonar pela história, pela trilha, pela edição, pelos atores. Acho que Farmiga é mesmo o destaque maior desse ótimo longa.

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  8. Mayara, eu costumo não ler o texto toda também quando é sobre filmes que ainda não vi.

    Bruno, vi duas vezes também e me apaixonei mais ainda na outra vez que vi.

    Cristiano, Clooney tem me agradado muito nos trabalhos que tem feito ultimamente. E obrigado, me esforcei bastante pra fazer um bom texto e acabei me empolgando, hehehe.

    Luis, eu adoro essas surpresas agradáveis nos filmes. Eu pensava exatamente como você: não me convencia tanto pelo enredo. E acabei conseguindo apreciar muito o filme. E Farmiga está inesquecível para mim.

    Abraço a todos!

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  9. Vi nesta semana e não consigo tirá-lo da cabeça. É uma película maravilhosa. Muito, muito bonita.

    [*****]

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  10. Wally, ficou na minha cabeça por um longo tempo. A mesma experiência que tive quando vi "Juno".

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