22 de fev de 2011

O Vencedor (2010)

The Fighter, EUA
O maior problema de O Vencedor surge antes mesmo de você ver o filme: o pré-conceito. Surge a pergunta de quantas vezes já vimos uma história como essa. Rocky – Um Lutador e cia., Ali, A Luta pela Esperança, Menina de Ouro e claro Touro Indomável. E é importante que o espectador não vá ao cinema achando que verá o novo Touro Indomável do século. Justamente por ser uma história tão tratada no cinema é inevitável que haja comparações. Mas comparar com o filme de Scorsese é até covardia.



O tema atrai muitos cineastas. Os boxeadores são vencedores em cima do ringue e fracassados quando descem. É tipico que a maior moral do longa seja superação, apesar de que os conflitos com a família passem as principais mensagens do filme. O Vencedor carrega o espectador a um desfecho óbvio e otimista, afinal não faria sentido o título do filme. Nem por esse apelo previsível o roteiro chega a decepcionar. Ok, ninguém sai deslumbrado da sessão, nem tampouco revoltado, porque o filme simplesmente não fede nem cheira e vai envelhecer muito bem por conta do elenco.

Não se pode poupar elogios ao elenco. Um time formidável de atores faz valer a pena a ida ao cinema. É Christian Bale que domina as cenas quando aparece; o papel de Mark Wahlberg não pede muito esforço e, portanto, o seu desempenho não decepciona. Bale, por outro lado, foi privilegiado com um personagem egoísta (embora simpático) e viciado em crack outrora um bom lutador de boxe que ganhou prestígio de uma vitória acidental em uma luta. E com essa fama baseada numa mentira Dicky torna-se uma figura que o irmão mais novo Micky (Wahlberg) procura seguir.

Micky poderia ter uma carreira brilhante não fosse o sufoco que seu irmão e sua mãe Alice (Melissa Leo) o submetem e acham que o melhor para Micky é está com a família. O que faz o lutador acordar é seu envolvimento com Charlene (Amy Adams) que age muitas vezes como sua porta-voz. É assim que notamos um Micky recluso, com vergonha de seguidos fracassos e com medo de largar sua família. E isso fica mais explícito numa cena em especial quando Micky vai anunciar Charlene e ela segura seu braço, como se o protegesse de sua própria família. É ótimo ver Adams e Wahlberg atuando juntos; são os momentos que mais vemos o potencial de ambos.

A força da atuação de Amy Adams está no olhar (ora recluso, ora desafiador), ela é capaz de dizer tantas coisas com aqueles belos olhos azuis que a presença de diálogo nesses momentos é até desnecessária. Melissa Leo vem com outra excelente atuação feminina do filme, seus exageros e sua futilidade causam uma mescla de antipatia e risos. Sua personagem é uma descarada ironia à sociedade. É uma pena a atriz ter se rebaixado tanto para chamar atenção dos votantes da Academia...

A eficaz direção de David O. Russell não segura sozinho as falhas do roteiro e nem o suporte do elenco tapam esses furos. Russell usa belas e simples tomadas que surpreendem quem vai ao cinema esperando apenas boas atuações de seu filme. E isso ele estampa logo no inicio da projeção com a câmera seguindo Wahlberg asfaltando a rua enquanto Bale narra uma de suas lutas. A trilha vai de The Rolling Stones, Led Zeppelin até Red Hot Chili Peppers na ótima Strip My Mind. Vendo tudo em seu contexto faz temos certeza que não há apenas um vencedor ali, todos eles são.

█ █ █ De David O. Russell, com Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Mickey O'Keefe. 114 min.

5 comentários:

  1. Concordo que o filme vai envelhecer por conta do elenco. Vale por isso mesmo, principalmente Christian Bale.

    Beijos! ;)

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  2. Gostei demais do elenco, igualmente soberbo. Até Walbergh, que faz de seu Micky Ward o personagem mais interesante do filme. Pena que beba tanto da fonte de outros flmes de superação. É ou não a cara de "Rocky", Million Dollar Baby"? Isso faz dele um filme banal. Mas o elenco realmente deixará o longa eternizado. Só. Com atores menos inspirados, duvido que tivesse recebido uma indicação sequer.

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  3. Concordo que o personagem de Bale é muito mais interessante que o clichê de Wahlberg, mas o cara ainda assim é muito apático em cena, pelamor!

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  4. Também não poupo elogios à performance de Amy Adams, para mim de longe a atuação mais genuína do filme. Wahlberg também está muito bem, discreto e natural, com alguns excelentes momentos. Como apontei no meu texto sobre o filme, acho as atuações de Bale e Leo forçadas, mais do que pedem seus personagens. Nesse sentido: os atores parecem competir para aparecer em cena, e, somado aos momentos toscos do roteiro que os trata como caricaturas, as atuações soam artificiais. Adoro eles, mas não aqui, em que transpiram autocondescendência e arrogância (os atores, não seus personagens), e por isso torcerei contra os dois. A direção de O. Russell pouco faz para tentar diferenciar sua obra e, como você apontou, o filme acaba sendo apenas mais um com o esporte como fundo. O roteiro é fraquíssimo, e a abordagem é novelesca. Não é um filme ruim, mas certamente é superestimado. Se quiser passar para ver meu texto: http://observatoriodocinema.blogspot.com/2011/02/cinema-o-vencedor.html

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  5. Não é nada demais. Marca pelas atuaçães. Principalmente de Bale.
    Ah! Estou concorrendo a ingressar na Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos. Dê uma visitada no meu blog e se achar bacana (conteúdo e layout)... Quero vir a somar.
    Abraço.
    =]

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