21 de mai de 2011

Não Me Abandone Jamais (2010)

Never Let Me Go, Inglaterra.
Podemos ter certeza que nunca deixaremos de ser pegos de surpresas com algum filme. Se me perguntassem por que sou tão apaixonado por cinema, a primeira das respostas seria certamente essa primeira frase, das muitas outras respostas que têm. Não me abandone jamais prende nossa atenção inicialmente pela forma despretensiosa que achamos que é a trama. Um erro subestimar esse filme, pois quem o faz sofre severas consequências. Felizmente o filme agrada mais do que supus.


O único material de divulgação que vi foi o lindo pôster que me instigou a assisti-lo. Lia algumas coisas de orfanato por aí e nada mais. Ainda gosto de ir para o cinema, ou deitar no meu sofá e ligar meu aparelho de DVD e começar a ver um filme que não sei nada sobre. Afinal, não devemos nos preparar. Não me abandone jamais é um retrato poético de três pessoas que só tem uns aos outros, pois compartilham da mesma situação. E que situação cruel...

Juntos eles tentarão enfrentar a vida até chegarem o momento inevitável para o qual foram designados. Durante anos eles passam por esperanças pessimistas que apenas Tommy (Andrew Garfield) as alimenta. Este que com o passar dos anos parece nunca perder a inocência e timidez de um garoto rejeitado pelos outros e apesar de todas as frustrações Tommy é alicerçado por Kathy (Carey Mulligan), a realista. Ela encontra na solidão um motivo para achar forças perante seu “destino”. Não me abandone jamais faz jus ao seu título.

Toda a ideia que se cria do filme é completamente mudada quando a Srt. Lucy (Sally Hawkins) entra na sala daqueles garotos e joga na cara deles a realidade. As suas realidades. Realidade que lhe faz mal só por saber. Então, é nesse momento que realmente estamos entrando no espírito do longa, mesmo que no começo o argumento seja difícil de se engolir, com o tempo nós digerimos. E não é difícil se encantar com um filme visualmente perfeito. Durante todo a projeção a fotografia é extremamente persuasiva. Não há como negar que me apaixonei pela fotografia de Adam Kimmel e por todos os contrastes que aumentam ainda mais a melancolia desacerbada e engrandecem a beleza da projeção. A curta cena da ponte protagonizada por Mulligan e Garfield e a sequência que os três encontram um barco encalhado são o que de houve de mais belo no cinema esse ano.

Utilizando sempre que pode tomadas monótonas, sem atores em cena, Mark Romanek consegue passar ao espectador exatamente o objetivo do filme. Os trinta minutos finais de Não me abandone jamais são os minutos que farão o espectador encarnar toda a aura triste dos personagens.

O elenco todo está excepcional, até mesmo a escalação juvenil não deixa a desejar. Carey Mulligan e Andrew Garfield que se destacam mais. É fantástico ver os dois encenando. É inevitável não sentir arrepios durante a cena dos dois no carro. Inevitável não se questionar porque raios Garfield fora mais ovacionado por A Rede Social. A fotografia novamente se fazendo essencial aí. Todas as angústias dos personagens carregam o espectador a uma conclusão esperada, mas ainda assim avassaladora.

Não me abandone jamais passa uma mensagem otimista, apesar de deixar quem assiste arrasado, as dores dos personagens nos fazem refletir sobre o quanto vale a vida. A trilha sonora auxilia a composição da beleza de cada cena, os acordes melancólicos de Rachel Portman são sempre bem executados durante a projeção. Todas as composições são coerentes com os personagens e com a trama, principalmente We All Complete. A delicadeza da trilha do filme causa uma identificação imediata. Escolher a canção Never Let Me Go de Jane Monheit para um dos momentos mais otimistas do filme nos faz lembra que sim, a vida tem sua beleza apesar de ser dolorida.

 █ █ █ █ De Mark Romanek, com Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley.

5 comentários:

  1. Até que curti bastante esse filme, o elenco está soberbo com destaque para o Garfield!

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  2. Mais um belo texto, analítico e sensível sobre esse filme tão denso e tão triste que me deixou arrasado.

    É dolorido, mas faz pensar sobre como a vida é efêmera, como tudo deve ser aproveitado intensamente. E o tempo corre e nem vemos: a vida se perde se não amarmos mais, se não aproveitarmos mesmo cada segundo dela.

    O elenco é um máximo, e é triste observar a 'impotência' de seus personagens que nada fazem pra mudar a condição, diante da morte que virá...

    Abraços!

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  3. Sou doido pra assistir, mas ainda não encontrei por aqui. E a crítica anima mais ainda!

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  4. Esse é um filme que me deixou muito confuso. Confuso no sentido de que DETESTEI a história absurda, mas adorei os efeitos dramáticos dela. Enfim, minha relação com "Não Me Abandone Jamais" é de amor e ódio!

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  5. .bello texto, moço. fez jus a um filme delicadamente devastador como este.

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