16 de jan de 2011

A Origem (2010)


Inception, EUA, Inglaterra
"Uma ideia é como um vírus. Resistente. Altamente contagioso. A menor semente de uma ideia pode crescer para definir ou destruir você. As menores ideias como... 'Seu mundo não é real'. Um simples pensamento que muda tudo."

A Origem é um filme poderoso em todos os aspectos, assim como todos os outros de Christopher Nolan. De maneira simples e sem exageros seus filmes tornam-se eternos. De maneira “simples” porque Nolan preza pelo cinema tradicional e é tachada de excêntrico por causa disso. Por quase não usar efeitos digitais em seus longas ele aproxima a ficção da realidade. É basicamente isso que ele faz em A Origem, deixa um sonho real. E eles não são reais enquanto sonhamos?



Sonho VS Realidade. A luta constante enfrentado por Cobb (Leonardo DiCaprio, em uma inspirada atuação) e rodada sob uma montagem cuidadosa. E é preciso muito cuidado mesmo para montar um filme que se passa em várias camadas do subconsciente humano. Mas Lee Smith é tão brilhante em sua montagem que torna tudo um espetáculo (vide a sequência do chute no ato final). Todo cinéfilo sai todo sorridente quando termina de ver um filme como este. A excitação sede espaço também para os diversos questionamentos levantados durante a projeção. Daí a vontade de rever, afinal todo mundo quer tirar suas dúvidas. Isso porque a última cena é tão impactante que deixa o espectador pensando nela por dias a fio. Alguns podem até dizer que A Origem caminha para um final óbvio demais. Porém, sendo ou não, é a técnica utilizada por Christopher Nolan que certamente causa o impacto, claro que a bela trilha sonora de Hans Zimmer também aumenta a tensão.

Nolan já é querido pelos cinéfilos há muito tempo e a cada novo trabalho, torna-se impossível não admirar mais o seu estilo. A trama de A Origem é arriscada, mas o roteiro assinado pelo próprio diretor molda uma estória complexa de uma forma tão avassaladora que durante as mais de duas horas e meia de projeção só sentimos vontade de conhecer mais de sua ideia. Sim, tudo gira em torno de uma ideia. Uma simples ideia que pode construir cidades! Pelo menos é de onde parte o argumento de Nolan.

E ele coletou ideias de vários artistas. As obras paradoxais do pintor M. C. Escher; o filme francês O Ano Passado em Marienbad (1961), que Nolan brinca dizendo que a diferença entre os dois filmes é que o seu têm muitas explosões. O cineasta diz que também se inspirou em Stanley Kubrick e Ridley Scott. Tanta informação pode deixar o espectador confuso em certos momentos. Os personagens dão muitas informações naturalmente, pois há uma novata na equipe (Ariadne, interpretada por Ellen Page) que está ali como se fosse o próprio espectador, cheio de dúvidas. Ariadne, como na mitologia grega que resgata o amado Teseu do labirinto com um novelo de lã. A ironia de Nolan na personagem vai além e como totem a personagem tem um peão do xadrez. Simplesmente genial.

Sobre o elenco não se deve economizar nos elogios. Pouco espaço na tela não deve ser sinônimo de má atuação em nenhuma das hipóteses. Temos aqui um Leonardo DiCaprio atormentado e cheio de remorso; Joseph Gordon-Levitt um sujeito amadurecido que é até difícil acreditar que é o mesmo apaixonado iludido de (500) dias com ela, Ellen Page é uma curiosa e talentosa arquiteta. Mas entre todos os demais coadjuvantes Marion Cotillard é destaque com sua psicótica e egoísta Mal. Até mesmo Michael Caine em seus pouco mais de cinco minutos em cena consegue transpor uma elegância irresistível na grande tela. O elenco, tão bem escalado, conta também com Tom Hardy, Cillian Murphy, Ken Watanabe e Tom Berenger. Cada um em seu devido lugar.

É impressionante. Cada segundo. A expectativa de querer saber o que virá a seguir nem se compara à agonia de achar que pensava que tudo estava solucionado e levar um banho de água fria com a última sequência. É obrigatório mais de uma revisão.

█ █ █ █ █  De Christopher Nolan, com Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Michael Caine. 148 min.

4 comentários:

  1. Adoro "A Origem", especialmente por causa da brilhante montagem e da direção impecável do Christopher Nolan!

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  2. Gosto MUITO de "A Origem". Para mim, o melhor filme do ano. Uma peça que é simples, mas se torna complexa por causa da brilhante direção do Christopher Nolan.

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  3. Exatamente, Matheus. A direção de Nolan é realmente impecável desde o primeiro momento.

    Kamila, concordamos por ser o melhor filme do ano.

    Eu prefiro outra palavra, Cleber: Obra-prima!

    Abraço a todos.

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